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*************** O IRRESISTÍVEL ROCK HUDSON




Roy Harold Scherer Júnior foi abandonado pelo pai aos oito anos de idade, sendo educado com dificuldade pela mãe, uma empregada doméstica. Trabalhou como carteiro, mecânico de aeronaves da marinha e motorista de caminhão antes de ser conhecido mundialmente como ROCK HUDSON (1925 - 1985). Um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 1950 e 60, não era bom ator, mas tinha carisma e bela estampa. Durante a ascensão ao estrelato, a Universal o escalou para pequenos papéis, geralmente em faroestes. Tornou-se protagonista em “Bando de Renegados / The Lawless Breed” (1953). 

O melodrama “Sublime Obsessão”, do mestre Douglas Sirk, transformou-o em astro, posição que manteve por mais de uma década. Seu principal desempenho, indicado ao Oscar, foi o fazendeiro casado com Elizabeth Taylor em “Assim Caminha a Humanidade”, e os mais populares, a série de agradáveis comédias românticas com Doris Day, destacando-se “Confidências à Meia-Noite”. Ganhou quatro vezes o Globo de Ouro. Nos anos 1970, fez sucesso na série de tevê “O Casal MacMillan”.


Moreno, muito alto (1,93 m), másculo, belo corpo e voz viril, ele estava acima de qualquer suspeita, ocultando habilmente suas inclinações sexuais. Em 1946, após dar baixa da marinha, mudou-se para Los Angeles, tornando-se amante do produtor musical Ken Hodge. Ken fez tudo o que pode por ele, inclusive transferindo-se para mais perto de Hollywood e dando festas para apresentá-lo aos caçadores de talento. Um deles, o sórdido Henry Willson, contratou o inexperiente Rock. Willson era um homossexual notório, vivia rodeado de rapazes ambiciosos aos quais prometia as luzes da ribalta. Enquanto elas não se acendiam, circulava com eles e os levava para a cama. No seu cast, Robert Wagner, Rory Calhoun, Tab Hunter, Troy Donahue, John Saxon e George Nader. 

Rock se deixou seduzir em nome da carreira. O agente arrumou seus dentes e pagou lições de interpretação, dança, desinibição e dicção. Inicialmente de nada adiantou. O grande Raoul Walsh deu-lhe uma única fala num filme e foram necessárias trinta e seis tomadas para que ROCK HUDSON a pronunciasse corretamente. Percebendo que seu rosto era bom para a câmera, o diretor contratou-o por um ano, negociando o contrato mais adiante com a Universal.

liz e rock
O estúdio divulgou romances do novo contratado - com as atrizes Vera Ellen e Marilyn Maxwell - para que os fãs não fizessem uma ideia errada a seu respeito. Ele logo passou a receber uma média de cento e cinqüenta propostas de casamento por semana. As revistas de cinema não paravam de perguntar: “Quando Rock escolherá uma noiva?”. Isso o tornou cuidadoso. Passou a encarnar o herói romântico e sua carreira terminaria se o público tivesse a mais leve suspeita de sua homossexualidade. 

O problema era a inesgotável energia sexual de ROCK HUDSON. Ele necessitava de sexo diariamente e não apreciava sujeitos masculinos, de preferência bissexuais. Enquanto isso, seus filmes destacavam seu vigoroso físico. As publicações estampavam fotos suas dedicando-se a tarefas típicas masculinas, entre elas lavando seu conversível vermelho. Sem camisa, obviamente, para exibir o formoso tronco. Uma delas vinha com a seguinte legenda: “Olhando-o de qualquer ângulo, a conclusão é: que homem!”. Liz Taylor admitiu que, durante as filmagens de “Assim Caminha a Humanidade”, sentiu-se atraída por ele. Foi inútil, ele preferiu cair nos braços de James Dean. 

rock e jane wyman 
em sublime obsessão
Quando a revista “Confidential” passou a farejar a vida privada do astro, o estúdio resolveu casá-lo urgentemente. A escolhida, uma tímida e ingênua secretária aspirante a atriz, Phyllis Gates, não tinha a menor ideia da farsa, apenas se deliciava com a possibilidade de ser a esposa do homem que todas as mulheres cobiçavam. Pelo bem da carreira, ele aguentou o máximo que pode, mas o casamento só durou três anos.

Durante as filmagens de “Adeus às Armas / A Farewell to Arms” (1957), teve tórrido caso de amor com um ator italiano (seria Franco Interlenghi?), beirando o escândalo. Para concretizar sua imagem heterossexual, foi colocado ao lado da comportada Doris Day em “Confidências à Meia-Noite”. A comédia custou um milhão e arrecadou 25 milhões de dólares. Ele passou a ser o ídolo número um do mundo. Em 1962, ROCK HUDSON conheceu um jovem chamado Lee Garlington e o convidou para viver com ele. O caso se arrastou por nove anos, e o ator revelou que Lee foi uma das poucas pessoas que realmente amou. No entanto, isso não o impedia de traí-lo. 

doris day e rock em confidências à meia-noite
Rock teve inúmeros parceiros e frequentava discretas festas exclusivamente masculinas, principalmente aquelas em que não conhecia quase ninguém. Com o declínio, a partir dos anos 1970, ele direcionou toda a sua energia para o sexo. Nas suas festas enchia a piscina com dezenas de belos jovens, nus e bronzeados. “Os louros são os Scott e os morenos são os Grant”, dizia aos raros convidados. Ninguém desconhecia o famoso romance entre Randolph Scott e Cary Grant. Nos anos 1980, numa sauna, conheceu o oportunista Marc Christian, de 29 anos. ROCK HUDSON o levou pra casa, deu-lhe um salário mensal, pagou um tratamento para melhorar seus dentes, arranjou-lhe um personal trainer, um carro e lições de tênis. 

Nesta época que apareceram os primeiros sintomas de que sua saúde não estava bem. Logo descobriu a Aids. Quando a “Variety” revelou sua doença, o mundo ficou estupefato. No entanto, morreu cercado de amigos, entre eles, Elizabeth Taylor. Depois da sua morte, o ex-amante foi aos tribunais, alegando que o ator fazia sexo com ele sabendo que podia contaminá-lo. Ganhou a causa, embolsando 14,5 milhões de dólares. A última aparição de Rock no cinema foi em “O Embaixador / The Ambassador” (1984), de J. Lee Thompson, co-estrelado por Robert Mitchum.

Fontes
“Rock Hudson – História de Sua Vida”, de Rock Hudson e Sara Davidson; e “A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood”, de Nigel Cawthorne.


DEZ GRANDES FILMES de ROCK
(por ordem de preferencia)

01
ASSIM CAMINHA a HUMANIDADE
(Giant, 1956)
direção de George Stevens
com Elizabeth Taylor, James Dean,Carroll Baker,
Mercedes McCambridge, Dennis Hopper e Sal Mineo

02
TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All that Heaven Allows, 1955)
direção de Douglas Sirk
com Jane Wyman, Agnes Moorehead e Conrad Nagel

03
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1954)
direção de Douglas Sirk
com Jane Wyman, Agnes Moorehead e Barbara Rush

04
E o SANGUE SEMEOU a TERRA
(Bend of the River, 1952)
direção de Anthony Mann
com James Stewart, Arthur Kennedy e Julie Adams

05
CONFIDENCIAS a MEIA-NOITE
(Pillow Talk, 1959)
direção de Michael Gordon
Com Doris Day, Tony Randall, Thelma Ritter
e Marcel Dalio

06
PALAVRAS ao VENTO 
(Written on the Wind, 1956)
direção de Douglas Sirk
com Lauren Bacall, Robert Stack, Dorothy Malone
e Robert Keith

07
VOLTA, MEU AMOR
(Lover Come Back, 1961)
direção de Delbert Mann
com Doris Day, Tony Randall, Edie Adams
e Jack Oakie

08
O SEGUNDO ROSTO
(Seconds, 1966)
direção de John Frankenheimer
com Salome Jens, John Randolph e Will Geer

09
QUANDO SETEMBRO VIER
(Come September, 1961)
direção de Robert Mulligan
com Gina Lollobrigida, Sandra Dee, Bobby Darin
e Walter Slezak

10
O ÚLTIMO POR-DO-SOL
(The Last Sunset, 1961)
direção de Robert Aldrich
com Kirk Douglas, Dorothy Malone, Joseph Cotten
e Carol Lynley

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